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Produtos Orgânicos precisam estar ao alcance de todos

Palestra mostrou a importância de unir práticas de coletividade, união entre produtores e políticas públicas podem tornar o acesso ao produto orgânico mais democrático.

 

Articulado pela Plataforma de Apoio à Agricultura Orgânica na Cidade de São Paulo, a distribuição de alimentos orgânicos na merenda escolar é obrigação em São Paulo e já está sendo executada de forma gradual.

De acordo com Arpad Spalding, geografo da USP e considerado o maestro da agricultura orgânica, "democratizar o acesso aos produtos orgânicos, traz ganhos na escala de produção e com isso o valor diminui, fazendo com que a gente possa diminuir nosso valor para a prefeitura e assim conseguimos espaço para entrar na periferia e oferecer alternativas para quem, atualmente, não consegue pagar R$ 2 em um pé de alface".  

O grande mérito – e talvez o maior foco – de se incluir alimentação orgânica na merenda escolar é poder levar conhecimento e responsabilidade com a saúde e a educação das crianças, além do incentivo à produção de uma agricultura limpa e saudável.

Spalding também defende que a agricultura familiar precisa apresentar produtos diversificados como Ora-Pro-Nobis e Taioba, que além de trazer novos sabores para a mesa da população também incentiva o aumento da escada de produção.

Ele destaca ainda a importância de haver mais incentivo, envolvimento, assistência técnica para os produtores, além da responsabilidade de levar informações relevantes para as famílias produtoras.

Rita de Cassia Goltz, Coordendora da Rede Ecovida, produtora orgânica do Município de Castro-PR, comemora o fato de entregar 72% da merenda orgânica do seu município, mas claro, ainda há muito trabalho a ser feito.

A Ecovida, tem uma rede de funcionamento horizontal e descentralizado e está baseado na organização das famílias produtoras em grupos informais, associações ou cooperativas. Atualmente conta com 27 núcleos regionais, abrangendo cerca de 352 municípios. 340 grupos de agricultores (abrangendo cerca de 4.500 famílias envolvidas) e 20 ONGs.

Produtores de pão, geleia, molho de tomate, trigo entre outros, toda a produção da Rede é feita de maneira coletiva e todas as despesas e lucros são divididos por iguais. "Não é fácil, encontramos produtores muito individualistas, por isso, adotamos um sistema de rodizio de atividades onde todos participam de todas as etapas de produção, inclusive, lavar louças. Hoje, trabalhamos todos tranquilamente, na mesma sintonia", acrescenta Rita.

Rita fala da importância do crescimento juntos. Num primeiro momento os produtores limitavam-se a entregar apenas verduras e frutas. Aos poucos, ingressaram nas cozinhas comunitárias e economia solidária. O que um dia foi apenas uma, hoje são 17 cozinhas comunitárias que fabricam dezenas de produtos variados.

Ainda sobre a importância de integrar as famílias, a Rede possui um trabalho de aprendizado que oferece formação continuada para os produtores e seus familiares, além de conecta-los ao resgate de suas origens e fatos históricos da região.

Uma parte muito importante do trabalho está na conscientização. Rita aborda que precisaram esclarecer as questões de gênero e geração, já que havia muito machismo no grupo, e alguns produtores não aceitavam mulheres dividindo os mesmo lucros e deveres. Além disso, também não incentivavam as novas gerações a terem amor pela terra e consequentemente darem o seu devido valor. Sem isso, a agricultura familiar não evolui e não se multiplica.

Outra parte de suma importância foi a conscientização das famílias que produziam os alimentos, mas não o consumiam, ou seja, acabavam indo às redes convencionais de mercado para adquirir seus produtos. Foi preciso um trabalho de educação sustentável e mostrar que primeiro você produz para sua casa e depois você forma uma renda.

Bela Gil, culinarista e apresentadora, falou conosco a respeito do evento. "Eu acredito que todo mundo deve ter o direito de alimentar bem, ter uma alimentação saudável e, falar sobre a democratização da alimentação orgânica é suma importância, não pode ser uma coisa apenas para pessoas economicamente ou socialmente privilegiadas. Todos precisam desse acesso, mas para isso ser colocado em prático é preciso uma aliança entre consumidores, produtores e políticas públicas".

"É possível levar a produção orgânica tanto para grandes como pequenos lugares. Quando a coisa é boa, as pessoas aderem. A cultura passa por aquilo que a gente faz", finaliza a mediadora Maluh Barciotte.

 

Fonte: Primeira Página

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