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Serviços de entrega de orgânicos estão mais acessíveis

Serviços de entrega de orgânicos estão mais acessíveis

Delivery de produtos orgânicos cresce impulsionado por uma maior oferta de produção, facilidade na distribuição e também demanda.

 

Com um crescimento em torno de 25% ao ano e movimentando cerca de R$ 4 bilhões em 2018, o consumo de alimentos orgânicos está em alta no Brasil. O país está se consolidando como grande produtor, com aproximadamente 17 mil propriedades certificadas, em todas as unidades da federação, sendo a maioria composta por pequenos produtores.

Quem lidera a produção é a Região Sul, com pouco mais de 6 mil produtores, seguida das Regiões Sudeste e Nordeste com cerca de 4 mil. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, no ano passado, 63% são produtores exclusivos de orgânicos e os principais produtos são frutas, hortaliças, raízes, tubérculos, grãos e produtos agroindustrializados.

Na contramão do avanço no uso de agrotóxicos na agricultura convencional brasileira, a procura pelos alimentos orgânicos continua crescendo, especialmente entre aqueles que desejam adotar um estilo de vida mais saudável. E é nesse público que as empresas de delivery têm apostado para impulsionar seus negócios.

A publicitária Aline Borges, 45 anos, veio de São Paulo, onde já possuía um delivery de orgânicos, com a proposta de abrir um negócio semelhante na Ilha de Santa Catarina e levar alimentos orgânicos para todos, a um preço justo. “O orgânico ainda é visto como um alimento para a classe A e queríamos desconstruir isso. Ele é naturalmente mais caro porque é manual, demanda muito mais do agricultor, mas ainda assim pode ser rentável”, revela.

Aline conta que o primeiro passo foi conhecer vários agricultores, que viraram parceiros, e entender de forma mais ampla que o conceito do orgânico vai além da isenção de agrotóxicos. “A partir do momento em que começamos a entender que esse conceito também envolve um processo socioeconômico sustentável, passamos a valorizá-lo mais”, explica.

Há cerca de um ano, ela fundou o Sr. Orgânico Delivery, em Canasvieiras, junto com a irmã Andreia e o amigo Carlos Eduardo. Para Aline, o investimento inicial não é alto, mas o negócio exige um cuidado muito grande, especialmente no relacionamento com os clientes. “Demora para ser rentável e lucrativo, é um trabalho de formiguinha, de conscientização, que começa no boca a boca. É preciso conversar com os clientes, ter um contato pessoal para estabelecer uma relação de confiança e ser muito honesto”, analisa. “Também necessita se preparar para o clima, pois no verão o cuidado com as verduras é redobrado, sendo necessário um carro climatizado, por exemplo”.

Em média, a empresa entrega entre 15 e 20 caixotes (retornáveis) por semana. O pedido mínimo é de 50 reais (feira livre), mas também é possível fechar pacotes quinzenais, mensais, bimestrais ou trimestrais, o que garante descontos de até 10% no valor final. A taxa de entrega pode chegar a 15 reais.

O público que busca essa praticidade também é o foco do casal Thiago Martins, 35, e Cristina Medeiros, 36, que fundaram a Natuorganics, em 2016. O sonho de trabalhar nesse ramo e desenvolver uma horta caseira começou em 2011, quando eles mudaram de Florianópolis para um sítio em São Pedro de Alcântara, a 40 quilômetros da capital. “Ainda tínhamos nossos empregos, eu como publicitário e a Cristina como veterinária, mas começamos a idealizar o negócio, pesquisar o mercado”, conta Thiago.

Em 2016, Thiago largou o emprego e passou a se dedicar ao negócio, ao mesmo tempo em que mapeava empresas de delivery de orgânicos e continuava a se aprofundar no tema. Resolveu apostar na personalização. A empresa oferece planos mensais que variam entre 90 e 165 reais, onde o cliente recebe cestas personalizadas semanais, com itens dispostos em uma lista semanal.

Foi pensando em melhorar a qualidade de seus pratos, que a renomada chef de cozinha Sônia Jendiroba, 68 anos, resolveu deixar sua vida no centro da Capital e morar em um sítio no bairro rural de Ratones, no Norte da Ilha. Entre morros e o canto dos passarinhos, ela cultiva 90 mil pés de hortaliças, temperos e legumes orgânicos certificados pela Rede Ecovida.

Com mais de 20 anos de experiência em alta gastronomia e 35 anos atuando no ramo de eventos, a pioneira no restaurante por quilo em Florianópolis começou a plantar há 11 anos. Ela estudou sobre a produção e aprendeu a fazer biofertilizantes e os próprios repelentes naturais. Hoje, mantém apenas um funcionário que a ajuda na plantação.

A clientela se cadastra pelo Whatsapp e, aos domingos, recebem uma relação de produtos disponíveis na semana. É possível escolher tipos e quantidades, sem obrigação de comprar toda semana. Os pedidos (valor mínimo R$ 22,50 e taxa de entrega de R$ 7,50) são recebidos até as 16h do dia anterior à entrega, com distribuição uma vez na semana (exceto para restaurantes e revendedores), por áreas: Norte da Ilha, Centro e Lagoa/Sul da Ilha.

A colheita é feita na madrugada e a entrega é até o meio-dia para manter o frescor dos alimentos. “Também faço algumas feiras, inclusive em escolas – o que pretendo ampliar este ano – e o que não é vendido deixo em um asilo”. Atualmente, a empresária conta com uma rede de 20 parceiros e atende cerca de 300 famílias.

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